www.cimento.org ............ página Inicial

O Co-Processamento nas Cimenteiras

 

 

 

Assista ao vídeo sobre co-processamento produzido pela ABCP e SNIC (clique na figura ao lado).

 

 

 

Co-processamento em fornos de clínquer: Técnica de incorporação de resíduos ao processo de fabricação de clínquer (cimento), a partir do seu aproveitamento, resultando na destruição térmica eficiente e segura sob o ponto de vista operacional e ambiental.

Incineração:
Processo de oxidação térmica, conduzido sob condições controladas, em um equipamento projetado para essa
finalidade, visando a eliminação e redução de volume dos resíduos, resultando em compostos simples e cinza.

LEGISLAÇÃO:

  • Resolução CONAMA n° 264/99 - dispõe sobre o licenciamento de fornos rotativos de produção de clínquer para atividade de coprocessamento de resíduos;
  • Resolução CONAMA n° 316/2002 - dispõe sobre procedimentos e critérios para o funcionamento de sistemas de tratamento térmico de resíduos;
  • Resolução CONSEMA n° 002/2000 - dispõe sobre o coprocessamento de resíduos em fornos de clínquer;
  • Resolução CONSEMA n° 009/2000 - dispõe sobre a incineração de resíduos de serviços de saúde no Estado do Rio Grande do Sul, classificados como infectantes;


CO-PROCESSAMENTO APLICABILIDADE:

 Resíduos substitutos de matérias-primas;
 Resíduos substitutos de combustível;
 Resíduos inorgânicos para inertização;
 Resíduos orgânicos para destruição térmica;


PREMISSAS BÁSICAS:


 Resíduos enquadrados como substitutos de matéria-prima, fundentes e de combustíveis;
 Emissões atmosféricas que não comprometam a qualidade ambiental;
 Unidades produtoras de clínquer licenciadas pelo órgão ambiental competente;
 Não alterar a qualidade do cimento;
 Fornecimento regular do resíduo;
 Agregar valor.

Avaliações Técnicas Importantes:

 Estudo de Viabilidade de Queima;
 Proposta de Coprocessamento;
 Teste em Branco;
 Teste de Queima;
 Planos Complementares:

  • Armazenamento de resíduos;
  • Atendimento a emergências;
  • Treinamento de pessoal;
     Análise de Risco.


CO-PROCESSAMENTO DE RESÍDUO COMO SUBSTITUTO DE MATÉRIA-PRIMA

     Apresentar características similares as matérias primas empregadas na produção de clínquer, incluindo neste caso os materiais mineralizadores ou fundentes;
     Presença de óxidos de cálcio, silício, alumínio e ferro;
     Presença de mineralizadores (Zn, F, Ba e Fosfatos), facilitam as reações de clinquerização.

CO-PROCESSAMENTO DE RESÍDUOS COMO SUBSTITUTO DE COMBUSTÍVEL

     Poder calorífico inferior deve ser maior que 2700 kcal/kg = 11.300 kJ/kg (base seca), correspondente a casca de arroz (alternativo)/ Resolução CONSEMA/RS;
     O resíduo deverá comprovar ganho energético para o processo/Resolução CONAMA;
     “Blending” > poder calorífico inferior superior a 1700 kcal/kg para cada componente da mistura;
     Alimentação do resíduo, preferencialmente, na extremidade quente do forno rotativo (zona de combustão primária) - temperatura dos gases 2000ºC;
     Possibilidade de alimentação em outro ponto do sistema forno, em função da composição físico-química do resíduo (zona de combustão secundária (850ºC a 1200°C);


    RESÍDUOS POSSÍVEIS DE UTILIZAÇÃO:

    Borras Oleosas

    Borras Ácidas

    Pneus

    Borrachas não Cloradas

    Borra de Tintas

    Solventes

    Ceras

    Resinas Fenólicas e Acrílicas

    Carvão Ativado Usado como Filtro

    Elementos Filtrantes de Filtros de òleo

    RESÍDUOS PROIBIDOS:

    Resíduos Domésticos

    Resíduos de Serviços de Saúde

    Resíduos Radiotivos

    Substâncias Organocloradas

    Agrotóxicos

    Explosivos

MONITORAMENTO AMBIENTAL NÃO CONTÍNUO:

     Chaminé: material particulado, SOx, NOx, PCOPs, HCl/Cl2, HF e elementos e substâncias inorgânicas (metais);
     Monitoramento de quaisquer outros poluentes, a exemplo de dioxinas e furanos, poderá ser fixado pelo órgão ambiental competente;
     Particulado retido no precipitador eletrostático e no clínquer produzido: análise quanto a presença de metais;
     Características dos resíduos fundamentada na análise de PCOP’s, elementos e substâncias inorgânicas, enxofre, flúor, série nitrogenada e cloro;


MONITORAMENTO CONTÍNUO:

     Pressão interna e temperatura dos gases do sistema forno e na entrada do precipitador eletrostático, vazão de alimentação do resíduo, material particulado (através de opacímetro), O2, CO, NOx e hidrocarbonetos totais (THC) na chaminé.

    Limites Máximos de Emissão para Co-processamento:

    Poluentes

    Limites Máximos de Emissão

    HCL

    1,8kg/h ou 99% de redução

    HF

    5 mg/Nm³, corrigido a 7% de O 2 (base seca)

    CO*

    100 ppmv, corrigido a 7% de O 2 (base seca)

    MP

    0,15 kg/t farinha seca

    THC (expresso como propano)

    20 ppmv, corrigido a 7% de O 2 (base seca)

    Mercúrio (Hg)

    0,05 mg/Nm³, corrigido a 7% de O 2 (base seca)

    Chumbo (Pb)

    0,35 mg/Nm³, corrigido a 7% de O 2 (base seca)

    Cádmio (Cd)

    0,10 mg/Nm³, corrigido a 7% de O 2 (base seca)

    Tálio (Tl)

    0,10 mg/Nm³, corrigido a 7% de O 2 (base seca)

    (As+Be+Co+Ni+Se+Te)

    1,4 mg/Nm³, corrigido a 7% de O 2 (base seca)

    (As+Be+Co+Cr+Cu+Mn+Ni +Pb+Sb+Se+Sn+Te+Zn)

    7,0 mg/Nm³, corrigido a 7% de O 2 (base seca)

  Funcionamento de uma Cimenteira; Breve descrição do processo

O cimento é um material existente na forma de um pó fino, com dimensões médias da ordem dos 50 µm, que resulta da mistura de clínquer com outros materiais, tais como o gesso, pozolanas, ou escórias siliciosas, em quantidades que dependem do tipo de aplicação e das características procuradas para o cimento. O cimento é a mistura de clínquer e gesso. O clínquer, o principal constituinte do cimento, é produzido por transformação térmica a elevada temperatura em fornos apropriados, de uma mistura de material rochoso contendo aproximadamente 80% de carbonato de cálcio (CaCO3), 15% de dióxido de silício (SiO2), 3% de óxido de alumínio (Al2O3) e quantidades menores de outros constituintes, como o ferro, o enxofre, etc. Estes materiais são normalmente escavados em pedreiras de calcário, ou margas, localizadas nas proximidades dos fornos de produção do clinquer.

A matéria prima é misturada e moída finamente, e submetida a um processo de aquecimento que leva à produção final do clinquer.

 

Adaptado de J.P. Degré

Entre temperaturas de 500-900 ºC procede-se à descarbonatação do material calcário, que consiste na calcinação, com produção de oxido de cálcio (OCa) e libertação de CO2 gasoso. A temperaturas entre os 850 e os 1250 ºC dá-se a sinterização, reação entre o óxido de cálcio e as substâncias silico-aluminosas, com a formação do produto final o clinquer, constituído por silicatos di-cálcicos (2CaO.SiO2), aluminatos tri-cálcicos (3CaO.Al2O3) e ferro-aluminatos tetra cálcicos (4CaO.Al2O3.Fe2O3).

A temperatura na zona perto da saída do clínquer pode atingir os 2000 ºC, na chama do queimador.

Existem dois tipos principais de instalações de produção de clínquer: por via úmida e por via seca. Nas unidades por via úmida a matéria prima é moída juntamente com água sendo fornecida ao forno na forma de lama ou pasta. Os fornos de via seca não usam água para moer a matéria prima é fornecida ao forno na forma de um pó fino, a farinha crua. Como são pouquíssimas as fábricas que funcionam por via úmida, iremos referir-nos somente ao processo por via seca.

Nos sistemas por via seca a matéria prima, proveniente normalmente de pedreiras locais, que passa pela primeira britagem e é misturada com outros materiais, como areia, minério de ferro, argila, alumina, cinzas de Centrais Térmicas, etc., de modo a obter uma composição otimizada para a produção de clínquer. A matéria prima é em seguida moída finamente em moinhos de cru de vários tipos. Em muitos processos os próprios gases de combustão servem para separar e arrastar o material já moído, a farinha, conduzindo-o para sistemas de separação e despoeiramento, sendo os gases expelidos para o exterior e a matéria prima conduzida ao forno para tratamento térmico.

O clínquer é, normalmente, armazenado em depósitos de grandes dimensões e posteriormente moído em moinhos de bolas, onde se juntam os aditivos, como o gesso e outros, formando os diversos tipos de cimentos.

A energia necessária à secagem, calcinação e sinterização do clinquer, ou clinquerização, é obtida pela queima de uma variedade de combustíveis, como o o carvão mineral e o coque de petróleo (pet-coque). Outros combustíveis também usados na Europa são o fuel, o gás natural e combustíveis alternativos como pneus usados, papel velho, resíduos de madeira etc. Uma fração importante da energia térmica libertada na combustão é utilizada para a descarbonatação do calcário, que é uma reação endotérmica. Assim uma tonelada de clinquer necessita de um mínimo de 1700-1800 MJ.

No forno rotativo principal existem assim, pelo menos, duas zonas, uma inicial de calcinação e outra final de clinquerização. Os gases resultantes da combustão têm nestes fornos, tempos de residência de 4-6 segundos a temperaturas acima dos 1200 ºC, saindo pela chaminé com valores da ordem dos 150-250 ºC.

Para evitar fugas de material e produtos de combustão ao longo do sistema, toda a linha funciona em subpressão, sendo o movimento dos fluidos gasosos efectuado pelo vácuo gerado por ventiladores colocados na parte inicial da linha, imediatamente antes da chaminé.

Co-processamento em cimenteiras

Os fornos de cimento reúnem algumas características que os recomendam como possíveis instalações para a eliminação de resíduos perigosos, principalmente se esses resíduos forem combustíveis e puderem ser destruídos por reação com o oxigênio atmosférico. Dado o seu caráter perigoso a queima destes resíduos tem de ser realizada de modo que a sua remoção e destruição (DRE- Destruction and Removal Efficiency) seja elevada. Usualmente as Normas para o tratamento térmico de resíduos perigosos impõem DRE melhores que 99,99% (ou 99,9999% para dioxinas/furanos).

Os gases no forno de clínquer atingem temperaturas máximas de 2000 ºC no queimador principal e permanecem a temperaturas acima dos 1200 ºC por períodos de 4-6 segundos. Por sua vez o clínquer sai do forno a temperaturas na ordem dos 1450 ºC. Estas temperaturas são das mais elevadas encontradas em qualquer processo industrial e o tempo de residência dos gases a alta temperatura é também bastante superior ao conseguido em outros processos de combustão alternativos, como a incineração dedicada. Assim um forno de clínquer é um local com condições ótimas para uma queima ou destruição eficaz de qualquer resíduo orgânico que se possa oxidar/decompor com a temperatura.

Devido à quantidade elevada de matéria prima existente no interior do forno, este tem uma inércia térmica superior ao de muitas outras instalações industriais a alta temperatura. Nos fornos de cimento as variações de temperatura são lentas e mais facilmente controláveis. Esta característica é vantajosa quando se queimam substâncias com composição e poder calorífico variável como são os resíduos industriais.

É necessário tomar algumas precauções em relação ao modo como o material é adicionado ao forno. O local de injeção mais apropriado é o queimador principal junto à saída do clínquer, porque nestas condições a temperatura e o tempo de residência são maximizados. Substâncias líquidas ou sólidos triturados são normalmente queimados neste ponto do forno.

Os resíduos têm de chegar à unidade fabril com uma composição conhecida e com uma uniformidade em composição e granulometria especifica .

Resumindo, o co-processamento em cimenteiras apresenta as seguintes vantagens:

  • Altas temperaturas e longos tempos de residência: mais de 5" > 1800 °C
  • Elevado índice de destruição: Orgânicos totalmente destruídos; Metais incorporados e fixados no produto final
  • Processo com auto-lavagem de gases: A cal representa > 60% em massa
  • Dupla valorização de produtos orgânicos e minerais
  • Alta eficiência e Recuperação: total 1 MJ resíduo = 1 Mj fuel tradicional
  • Redução das emissões globais: CO2 global é reduzido

 

Co-processamento no Brasil:

Co-processamento é a queima de resíduos industriais e de passivos ambientais em fornos usados para fazer Cimento. Das 47 fábricas integradas (com fornos) instaladas no Brasil, 36 estão licenciadas para co-processar resíduos. Essas 36 fábricas representam mais de 80% da produção nacional de clínquer.
O Brasil gera cerca de 2,7 milhões de toneladas de resíduos perigosos de diversos segmentos da indústria (siderúrgica, petroquímica, automobilística, de alumínio, tintas, embalagens, papel e pneumáticos) por ano, das quais co-processa, anualmente, cerca de 800 mil toneladas. Somente em 2006, foram eliminadas em fornos de cimento aproximadamente 100 mil toneladas de pneus velhos, correspondentes a cerca de 20 milhões de unidades.

O co-processamento oferece diversas vantagens:

  • eliminação definitiva, de forma ambientalmente correta e segura, de resíduos perigosos e passivos ambientais;
  • preservação de recursos energéticos não-renováveis pela substituição do combustível convencional e pela incorporação na massa do produto, em substituição a parte de matérias primas que compõem a fabricação do cimento, sem alteração de suas características e atendendo às normas internacionais de qualidade;
  • contribuição à saúde pública, por exemplo, no combate aos focos de dengue (com a destruição de pneus velhos).
A queima de resíduos em fornos de cimento é amplamente explorada nos Estados Unidos, na Europa, e em expansão na América Latina. A Noruega, por exemplo, usa o co-processamento como método oficial de destruição de resíduos perigosos do país. O setor cimenteiro no Brasil possui uma capacidade crescente de queima que pode chegar a até 1,5 milhão de toneladas de resíduos eliminados anualmente.
Consumo de energéticos
Os níveis médios de consumo específico de energia térmica e elétrica na indústria do cimento brasileira encontram-se, respectivamente, em 825 kcal por kg de clínquer e 107 kWh por tonelada de cimento.
Esses valores encontram-se abaixo daqueles apresentados pelos EUA e principais produtores da União Européia, demonstrando a eficiência energética da indústria nacional.

Emissão de Gás Carbônico
O controle das emissões de CO2, um dos principais gases causadores do efeito estufa, representa um dos maiores desafios do setor na área de meio ambiente. A indústria do cimento contribui com aproximadamente 5% das emissões antrópicas de gás carbônico do mundo.
Os esforços da indústria nacional têm resultado em progressos significativos, mediante a adoção de processos de produção mais eficientes e com menor consumo de energéticos.
Ao mesmo tempo, a utilização de adições misturadas ao clínquer, como a escória de alto forno, também contribuiu para a redução das emissões de CO2 por tonelada de cimento, uma vez que este poluente se forma durante a produção do clínquer.
Com isso, o Brasil atingiu atualmente um fator de emissão de aproximadamente 610 kg CO2 / ton Cimento, bem abaixo de países como a Espanha (698 kg CO2 / ton Cimento), Inglaterra (839 kg CO2 / ton Cimento) e China (848 kg CO2 / ton Cimento). (Fonte: Oficemen 2003 / Polysius China).

Tripé de Sustentabilidade:

1-Tecnologia Viável:

      2-Ambientalmente Adequado

  • Com regulamentação estadual e federal;
  • Agrega valor e destrói totalmente grandes volumes e tipos de resíduos;

3-Economicamente Interessante

  • Oportunidade de negócios;
  • Racionalização dos recursos naturais não-renováveis.

O Coprocessamento no Mundo 

Há cerca de uma década a co-incineração, ou o co-processamento de resíduos em fornos de unidades cimenteiras é praticada extensivamente e de forma segura em doze países da união Europeia, nos Estados Unidos, no Japão e na Suíça, utilizando os resíduos pré-tratados como combustível alternativo.

Na UE, cerca de 150 fornos dos 450 existentes em 250 unidades cimenteiras recorrem a combustíveis alternativos num total de material equivalente a cerca de 3 milhões de toneladas de carvão por ano, o que corresponde, em média, à substituição de combustível normal em 20%; espera-se que nos próximos anos este quantitativo aumente para o dobro (The Use of Industrial Waste as Alternative Fuels in the Cement Industry, Institute for the Diversification and Saving of Energy, DIS-1289-97-ES, "New solutions in energy utilization", European Commission, Espanha, 2000).

Na Alemanha todas as cimenteiras operam com coprocessamento e em países desenvolvidos como a Alemanha, Áustria, Bélgica e França o combustível alternativo chega a ultrapassar os 50% dos combustíveis normais, carvão e pet-coke (cerca de 40% cada), fuel e gás natural. Na França o coprocessamento cresce a um ritmo de 5% ao ano, tendo a sua evolução entre 1989 e 1999 correspondendo a um acréscimo de 84%; a incineração dedicada se estabilizou neste período.

 

 

Distribuição europeia de algumas cimenteiras a co-processar, e a quantidades de resíduos tratados

Taxa de substituição térmica para coprocessamento no mundo.


 

Qualquer empresa, organização ou pessoas que, de alguma forma, não concordem com os dados, números e/ou imagens publicadas em nossa página, poderão sugerir as alterações, ou registrar sua opinião entrando em contato com Cimento.Org , através de nosso e-mail: faleconosco@cimento.org ou no formulário de nossa página Fale conosco.