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O mercado cimenteiro no Brasil é composto por 12 grupos cimenteoiros com 70 fábricas espalhadas por  todas as regiões brasileiras. Para ver a localização de cada fábrica e a quais grupos elas pertencem, criamos um link diretamente do site do SNIC (www.snic.org.br), onde basta clicar no mapa para indicar qual a fábrica e a qual grupo aquela fábrica pertence. Algumas novas aquisições e fusões não estão, ainda, contempladas no mapa, porém em breve deverão ser alteradas.

CARACTERÍSTICAS DA INDÚSTRIA CIMENTEIRA

É uma indústria que requer grandes investimentos e está sujeita a pressões de custos. No que se refere aos custos diretos, as despesas com combustíveis e energia elétrica  representam  mais de 50% na formação  do custo direto de produção de uma fábrica de cimento.

O cimento, por ser um produto de baixa relação preço/peso, é bastante onerado pelo frete, na distribuição, sofrendo o impacto com os aumentos de combustível e outros derivados de petróleo. O modal de transporte mais utilizado é o rodoviário, que é responsável por movimentar 94% de todo o cimento produzido no país, fazendo trafegar cerca de 8 mil caminhões por dia, somente para retirar o cimento das plantas instaladas em território brasileiro. O raio de distribuição do produto atinge em média 300 a 500 quilômetros no sudeste e sul do país,  podendo ultrapassar os 1000 quilômetros quando o cimento é distribuído para as regiões norte e nordeste. Na região norte, principalmente, faz-se necessário a utilização, também, do modal hidroviário. O sistema ferroviário, que melhorou pouco após a privatização, ainda é pouco utilizado para transportar o cimento consumido no país, representando cerca de 3% do tipo de transporte utilizado, onde  ficando os outros 3% para o modal hidroviário. Devido às dimensões continentais do país 65% de todo o cimento produzido é despachado através do mercado de revenda, o que, de alguma forma, força para que a embalagem mais utilizada seja o saco de 50 kg, que participa em 77% de todo o cimento despachado no país.

A indústria de cimento brasileira é moderna e tecnologicamente atualizada, sendo, por exemplo, o consumo médio de energia por tonelada de cimento produzido no país de 112 kw/h , enquanto nos Estados Unidos esse consumo é da ordem de 140 kw/hora por tonelada. Os esforços da indústria nacional têm resultado em progressos significativos, mediante a adoção de processos de produção mais eficientes e com menor consumo de energéticos. Ao mesmo tempo, a utilização de adições misturadas ao clínquer, como a escória de alto forno, também contribuiu para a redução das emissões de CO2 por tonelada de cimento, uma vez que este poluente se forma durante a produção do clínquer. Com isso, o Brasil atingiu atualmente um fator de emissão de aproximadamente 610 kg CO2  por  tonelada de cimento, bem abaixo de países como a Espanha (698 kg CO2 / ton. cimento), Inglaterra (839 kg CO2 / ton. cimento) e China (848 kg CO2 / ton. cimento). (Fonte: Oficemen 2003 / Polysius China).

O tempo necessário para a implantação de um projeto, dos estudos preliminares até o funcionamento de uma fábrica de cimento, é de 3 a 5 anos e a escala mínima nas unidades industriais é de 1 milhão de toneladas / ano de capacidade instalada, com investimento de 200 a 300 milhões de dólares.

Com capacidade teórica instalada da ordem de 63 milhões t/ano , o parque industrial estaria plenamente capacitado para atender à demanda interna e trabalhava , até 2006, com uma ociosidade em torno de 35%. Nos últimos anos, principalmente em 2008, com um crescimento no consumo acima de 13% sob o mesmo período do ano anterior, pegou parte dos grupos cimenteiros despreparados, que correm para aumentar suas capacidades instaladas para, tentar, equilibrar suas ofertas com a demanda prevista para o mercado interno. Com a crise mundial, cujos reflexos no Brasil começaram a acontecer no final do segundo semestre de 2008, muitos projetos em andamento foram engavetados, ou suspensos, pois os empresários não acreditavam em uma saída tão rápida do Brasil do terrível cenário mundial, que perdura até os dias de hoje. Essa parada para repensar investimentos, mostrou seus reflexos já em 2009, onde o atendimento ao mercado interno já apresentou problemas pontuais e, principalmente, para 2010, onde a expectativa é de crescimento de consumo, em relação a 2009, de cerca de 12%, o que trará, com certeza, uma ampliação da dificuldade de atendimento a demanda em diferentes pontos do país, forçando aos grupos tradicionais a importarem cimento e/ou matéria prima, caso não queiram desabastecer o mercado, abrir espaços para outros segmentos tomarem a iniciativa, ou mesmo abrir espaços para grupos cimenteiros menores se interessarem pelo mercado brasileiros, como já ocorreu com recentemente com a La Union, que anunciou em junho de 2010, sua entrada no Brasil via Porto de SUAPE em Pernambuco. É certo que a decisão de investimento em novas plantas, que estava suspensa, voltou a cena e vários grupos começam a divulgar grandes projetos, porém eles levarão um tempo considerável para entrarem em produção, o que pode não resolver o problema a médio e curto prazo.

Esse crescimento na demanda interna, pressiona ainda mais o já reduzido volume exportado, que vem em queda desde 2006. Essa queda nas exportações é o resultado da priorização, por parte dos grupos locais, no atendimento à crescente demanda do mercado nacional. O crescimento do consumo interno em 2008 e as falhas pontuais no atendimento, pelas industrias cimenteiras em alguns estados, tem ocasionado uma pequena elevação nos preços do cimento no varejo e uma pequena recuperação de preços na indústria em estados que atravessavam guerras pontuais nos preços, como SP, RJ, DF, GO e Tocantins. A pressão do consumo começa a afetar a logística, fazendo com que os fretes médios para transporte da tonelada de cimento se elevem consideravelmente e, mesmo assim, a oferta de transporte ainda é inferior a demanda pelo produto na ponta, principalmente para as cidades que não oferecem retorno de fretes.

Como o consumo de cimento guarda estreita correlação com a evolução da renda real e com a massa salarial real, nos últimos anos o setor da construção civil e atrelado a ele, a industria cimenteira, vem crescendo a passos largos, devido principalmente ao crescimento do emprego e da renda, a expansão do crédito imobiliário pelo governo e pelos bancos privados e devido à pressão das obras de infra-estrutura do PAC e outros programas governamentais.

Nós do Cimento.Org, acreditamos que esse panorama, mesmo com os investimentos anunciados pelos diversos grupos cimenteiros, deverá se manter, pelo menos até 2014 pois como o tempo médio para implantação de um projeto, dos estudos preliminares ao funcionamento de uma fábrica, leva de 03 a 05 anos, até lá, crescendo o consumo nacional a taxas próximas de 10% ao ano, as capacidades a serem instaladas, no ano que forem disponibilizadas ao mercado, já estarão quase que comprometidas, ainda mais com os projetos gigantescos como a COPA de 2014, a Olimpíada de 2016,  projetos do PAC e as obras do Programa “Minha Casa Minha Vida”.

Veja nossas projeções no quadro abaixo:

Previsões de Crescimento Consumo – www.cimento.org

Anos

Var. do PIB

Variação Cresc. Consumo

Cons. de Cimento

2003

0,55%

-

34.884 Mil/Ton

2004

5,7%

2,4%

35.734 Mil/Ton

2005

3,2%

5,4%

37.666 Mil/Ton

2006

4%

8,9%

41.027 Mil/Ton

2007

5,7%

9,8%

45.054 Mil/Ton

2008

5,1%

14%

51.365 Mil/Ton

2009

-0,2%

0,6%

51.670 Mil/Ton

2010

6,5%

12%

57.870 Mil/Ton

2011

5%

10%

63.657 Mil/Ton

2012

5%

8%

68.750 Mil/Ton

2013

5%

10%

75.625 Mil/Ton

2014

8%

8%

81.675 Mil/Ton

MERCADO CIMENTEIRO e as EXPECTATIVAS PARA para 2010:
Pela primeira vez desde o início dos estudos sobre o tamanho do déficit habitacional brasileiro, o SindusCon-SP e a Fundação Getulio Vargas (FGV) concluíram o estudo com os números relativos aos anos de 2007 e 2008, que dão uma dimensão mais aproximada da realidade das carências habitacionais no país. A nova estimativa é de que em 2008 houve um déficit habitacional de 5,572 milhões de unidades habitacionais (queda de 3,3% em relação a 2007). Este número é a soma de 3,552 milhões de moradias inadequadas (aumento de 1,6%) com 2,020 milhões de famílias em coabitação que manifestaram o desejo de se mudar (queda de 10,8%).

Em 2007, o déficit habitacional foi de 5,760 milhões de moradias. Este número é a soma de 3,495 milhões de moradias inadequadas com 2,265 milhões de famílias em coabitação que manifestaram o desejo de se mudar.

A diminuição do número de famílias em coabitação deve-se a vários fatores. Desde 2006, a quantidade de novas residências vem superando o número de novas famílias. Em 2008, para 1,434 milhão de novas famílias, foram construídas 1,778 milhão de novas habitações. Adicionalmente, a maior oferta de crédito, a queda dos juros habitacionais, as melhores condições de amortização dos financiamentos

imobiliários e o aumento da renda contribuíram para a redução da coabitação, sobretudo no segmento de 4 salários mínimos para cima.

Já o aumento das moradias inadequadas se deve basicamente ao fato de as favelas não terem se reduzido. São 2,1 milhões de moradias que se situam em favelas. De 2005 a 2008, aumentou em 110 mil o número de domicílios em favelas. O programa habitacional Minha Casa Minha Vida, que contempla subsídios para as faixas de renda mais baixas, só começou em 2009 e deverá entregar as primeiras unidades em 2010.

 

A tendência para 2010 é de crescimento recorde no consumo de cimento chegando o consumo a mais de 58 milhões de toneladas.

Consumo Aparente Total e Per Capita

de Cimento no Brasil

(Snic)

Ano

Mil Ton

Var anual

Per Capita

Var anual

%

Kg/hab

%

1992

24.103

-11,8%

159

-13,1%

1993

24.924

3,4%

162

1,89%

1994

25.320

1,6%

162

0,00%

1995

28.514

12,6%

179

10,49%

1996

34.925

22,5%

216

20,67%

1997

38.438

10,1%

235

8,80%

1998

40.142

4,4%

241

2,55%

1999

40.200

0,1%

238

-1,24%

2000

39.710

-1,2%

232

-2,52%

2001

38.912

-2,0%

224

-3,45%

2002

38.873

-0,1%

220

-1,79%

2003

34.884

-10,3%

195

-11,36%

2004

35.734

2,4%

197

1,03%

2005

37.666

5,4%

208

5,58%

2006

41.027

8,9%

224

7,69%

2007

45.054

9,8%

243

8,48%

2008

51.365

14,0%

273

12,35%

2009

51.670

0,6%

270

-1,10%

No quadro abaixo os maiores produtores de cimento do mundo.

Maiores Produtores de Cimento (em milhões de toneladas)

Países

2002

2003

2004

2005

2006

2007

%

China

725,1

862,5

967,8

1.080

1.253,50

1.377,80

49,21%

Índia

117,5

126,7

136,9

146,8

162

172,9

6,18%

EUA

89,7

92,8

97,4

99,4

98,2

95,5

3,41%

Japão

76,4

73,8

72,4

72,7

73,2

71,4

2,55%

Coréia Sul

56,4

59,7

55,8

49,1

51,4

54,4

1,94%

Espanha

42,4

44,8

46,6

50,3

54

54,7

1,95%

Itália

41,5

43,5

46,1

46,4

47,9

47,5

1,70%

Rússia

38,1

41,4

46,2

49,5

55,2

60,1

2,15%

Turquia

37,2

38,1

41,3

45,6

49

50,8

1,81%

13º

Indonésia

35,1

34,9

37,9

36,2

38,1

39,9

1,43%

11º

Tailândia

38,8

35,6

36,7

37,9

41,2

43,2

1,54%

10º

Brasil

39,1

35,5

36,5

39,2

42,4

46,5

1,66%

14º

México

31,1

31,9

33,2

34,7

37,9

38,8

1,39%

12º

Egito

26,3

32,5

35

37

38,1

40,1

1,43%

15º

Irã

28,9

30,5

32,3

32,7

35,3

40

1,43%

ND

Outros

418

433,9

462,8

488,6

525,5

566,1

20,22%

Total Mundial

1.841,60

2.018,10

2.184,90

2.345,70

2.602,90

2.799,70

100,00%

Fontes

SNIC - CEMBUREAU - OFICEMEN

 

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Última atualização em Qua, 14 de Julho de 2010 01:35
 

Comentários  

 
+1 #1 Preço do cimento em 1992CLÁUDIO C. FREITAS 15/07/2010 09:30
Senhores: Gostaria de saber o preço médio (em moeda brasileira) do saco de cimento de 50kg no ano de 1992. (A propósito a moeda em 1992 era o CRUZEIRO = Cr$)
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